Domingo, 18 de Março de 2007

intervalo

 

em intervalo

(espero que seja um intervalo criativo)

escrito por divergência instintiva às 01:16

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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

probabilidades

é provável que o improvável aconteça

Aristóteles

 

 

aristóteles é provavelmente um dos únicos homens que conheço que seria capaz de se movimentar tão convenientemente no mundo do acaso e das surpresas, mas era grego e está morto.

não sou uma pessoa dada a fazer generalizações. não gosto. provoca-me um formigueiro mental. no entanto, quanto mais olho mais reparo e os últimos dias têm-me revelado facetas da fragilidade masculina justificadas apenas pela crença absoluta na existência de uma ordem no universo.

dou por mim a pensar que os homens, digo, alguns homens são bem mais pressionados do que algumas mulheres por ideias feitas e senso comum, ideais de felicidade e bem-estar e protótipos sexuais e sociais.

talvez seja uma questão genética e as mulheres tenham inserido na sua linhagem feminina a expectativa de coisa nenhuma, depois de séculos e séculos a trabalhar com imponderáveis e aspectos práticos da vida - os filhos, o leite do peito que seca, a décima-quinta gravidez, a casa suja e desarrumada, a doença dos outros não anunciada, a comida a horas na mesa - e por causa disso, quando o acaso bate à porta e o inesperado acontece, haja sempre um café para lhe oferecer e uma palavra amiga: ora bem, já que aqui estás, demonstra-me o que me vens trazer, para que o possa aceitar. sentido pragmático. alguns elementos do sexo masculino, porém, ficam desconfortáveis e preferiam não ter aberto a porta, embora suspeitem que o acaso pode muito bem entrar pela janela. barafustam e protestam, com palavras muito altas e verdadeiramente sentidas. pensavam que a vida é pré-programável para a felicidade absoluta e não aceitam que uma coisa aparentemente impossível e inverosímil lhes possa alterar os planos. depois, ficam incoerentes e inseguros. tão frágeis que passam a duvidar de tudo e abanam com as suas próprias mãos os alicerces de tudo em que acreditam.    

 

escrito por divergência instintiva às 02:31

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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

extravio da matéria

 

 

In my eyes
Indisposed
In disguise
As no one knows
Hides the face
Lies the snake 
The sun
In my disgrace
Boiling heat 
Summer stench
neath the black
The sky looks dead
Call my name
Through the cream
And I'll hear you
Scream again
 
Black hole sun
Wont you come
And wash away the rain
Black hole sun
Wont you come
Wont you come
 
Stuttering
Cold and damp
Steal the warm wind
Tired friend
Times are gone
For honest men
And sometimes
Far too long
For snakes
In my shoes
A walking sleep
And my youth
I pray to keep
Heaven send
Hell away
No one sings
Like you
Anymore
 
Hang my head
Drown my fear
Till you all just
Disappear
 

 

a letra é dos Soundgarden.

às vezes também me apetecia simplesmente que o mundo desaparecesse engolido por um buraco negro ou que o sol fosse coberto por um bando de pássaros negros ou que a matéria do universo se extraviasse. não tenho medo de catástrofes. às vezes tenho medo de mim.

 

escrito por divergência instintiva às 03:38

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Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

liquidez

 

por vezes abandono o caminho certo

entro em atalhos paralelos

caminho sobre pedras

esfacelo dedos e o meu amor próprio

corto-me nas arestas dos excessos do percurso

 

por vezes perguntam-me

onde vais

e eu não sei responder

não há equivalência possível

entre os trilhos dispersos

e o caminho certo

nem tão pouco a possibilidade real

de ambos irem ter ao mesmo ponto

 

como se de alguma forma

eu fosse dupla

um braço agitando-se para a esquerda

convencendo-se de que pode ser asa

um pé deslocando-se para a direita

firmado sobre a terra sólida

 

penso depois que ninguém tem culpa

e não devo arrastar ninguém comigo

 

e gostaria de ter uma ilha bem no meio de qualquer oceano

e ser náufraga solitária dos meus desejos inconstantes

e ser a liquidez da areia da praia

ou a impressão de um passo marcado sobre ela

quando o mar a limpa e a areia fica plana

lisa de certezas

 

 

escrito por divergência instintiva às 16:11

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

na lua

como no poema de Cecília Meireles

tenho fases como a lua

tenho fases de ser tua

tenho outras de ser sozinha

e, tal como a lua, é a mesma face que projecto nas minhas fases, pois ora a escondo, ora a mostro, ora surge o nevoeiro mais denso e ela fica invisível, ora sou metades, ora sou quartos.

e, tal como a lua, não é minha a luz que devolvo, dependo do avanço contínuo do movimento dos planetas, cometas, estrelas, constelações.

e, tal como a lua, não sou o centro do universo, antes rodopio, aproximo-me e afasto-me ao ritmo das marés.

 

escrito por divergência instintiva às 00:45

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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

não sei porquê, mas lembrei-me

não sei porquê, mas lembrei-me. havia um forte americano montado em cima da cama. cavalos, índios e cowboys, vickie, ilvy e sven, carrinhos e uma carruagem de princesa, bonequinhos moles que dormiam em caixas de fósforos, soldados e cavaleiros aprumados e as armas do cluedo. personagens de uma história recriada ao ritmo das tardes, abertamente negociada sem ressentimentos posteriores, com explosões de emoção, ilvy deixando o vickie para se casar com o cowboy a bordo da bela carruagem puxada pelo cavalo do índio. havia o riso da minha amiga e o cheiro do café com leite e do pão com manteiga. o tempo lambia-me as mãos devagar e a história continuava todos os dias, ora aos tropeções, ora fluindo leve, e iamos aprendendo a impossibilidade de prever todas as hipóteses para o nosso universo, montado todos os dias em cima da cama, diferente de cada vez, com desaparecimentos súbitos de personagens engolidas pelo aspirador e tragédias e catástrofes de plástico partido.  

escrito por divergência instintiva às 02:15

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Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

tempo

 

no Louvre existe este Saturno devorando os seus filhos que nunca vi. é de Simon Hurtrelle.

lamento muitas vezes as coisas que nunca vi, nunca ouvi, nunca toquei, nunca senti.

às vezes sento-me no sofá com as sensações e emoções que nunca experimentei, encosto-me a elas e adormeço.

 

escrito por divergência instintiva às 23:44

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pequenas tristezas

 

hoje, entristece-me o simples facto de paixão não ser palavra-tag utilizada frequentemente nos blogs do sapo. palavra-etiqueta, palavra-prova, palavra-montra, palavra-chave. hoje, precisava que fosse e que a palavra aparecesse redonda no monitor.

 

escrito por divergência instintiva às 03:33

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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

silêncios

há ondas nos teus silêncios que se quebram junto à minha pele. são círculos, anéis concêntricos, cada vez mais ténues à medida que se propagam sobre mim, mas efeito dúbio: alimentam-me o desejo de estar próxima, quando as mensagens cruzadas no meu cérebro gritam perigo e alarme.

escrito por divergência instintiva às 01:41

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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

transparências

 

 

hoje, sou a transparência da bolha.

escrito por divergência instintiva às 21:17

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