Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

causas e efeitos

em miúda, subia às laranjeiras. lá em cima, havia a folhagem verde, pequenas flores brancas, hipóteses de laranjas em vários tons de verde e outras laranjas grávidas de sumo, já não em hipótese mas constantes em toda a sua realidade. porém, o que mais me enfeitiçava era o musgo dos troncos, de um verde agreste, sadio, que se colava à roupa, aos braços e às pernas. em miúda, subia às laranjeiras e não me afectavam as consequências de o ter feito, os monólogos gritados da minha mãe, ainda vais cair, estás a ficar suja, sai daí. na divergência das causas, não nos entendiamos: ela considerava o meu desejo de infracção, eu era impelida apenas pelo prazer de subir. só mais tarde vim a entender que eram ambas a mesma causa: a infracção está no prazer, o prazer está na infracção. assim mesmo, enquanto tudo em mim o que é instinto e emoção e desejo me envolve em ti, há outra parte de mim que prefere a regra, a casa, a razão. escolho a segunda via, porque sei que me haverias de querer prender. é que posso sempre optar por não subir à laranjeira.

escrito por divergência instintiva às 02:49

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1 comentário:
De she a 31 de Janeiro de 2007 às 16:30
que bom escolher poder escolher!!se bem que tb há algum prazer no ritmo imparável daquilo que tem de ser quer se escolha quer não... afinal, em ultima análise até isso fomos nós que escolhemos de algum modo...

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