Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

probabilidades

é provável que o improvável aconteça

Aristóteles

 

 

aristóteles é provavelmente um dos únicos homens que conheço que seria capaz de se movimentar tão convenientemente no mundo do acaso e das surpresas, mas era grego e está morto.

não sou uma pessoa dada a fazer generalizações. não gosto. provoca-me um formigueiro mental. no entanto, quanto mais olho mais reparo e os últimos dias têm-me revelado facetas da fragilidade masculina justificadas apenas pela crença absoluta na existência de uma ordem no universo.

dou por mim a pensar que os homens, digo, alguns homens são bem mais pressionados do que algumas mulheres por ideias feitas e senso comum, ideais de felicidade e bem-estar e protótipos sexuais e sociais.

talvez seja uma questão genética e as mulheres tenham inserido na sua linhagem feminina a expectativa de coisa nenhuma, depois de séculos e séculos a trabalhar com imponderáveis e aspectos práticos da vida - os filhos, o leite do peito que seca, a décima-quinta gravidez, a casa suja e desarrumada, a doença dos outros não anunciada, a comida a horas na mesa - e por causa disso, quando o acaso bate à porta e o inesperado acontece, haja sempre um café para lhe oferecer e uma palavra amiga: ora bem, já que aqui estás, demonstra-me o que me vens trazer, para que o possa aceitar. sentido pragmático. alguns elementos do sexo masculino, porém, ficam desconfortáveis e preferiam não ter aberto a porta, embora suspeitem que o acaso pode muito bem entrar pela janela. barafustam e protestam, com palavras muito altas e verdadeiramente sentidas. pensavam que a vida é pré-programável para a felicidade absoluta e não aceitam que uma coisa aparentemente impossível e inverosímil lhes possa alterar os planos. depois, ficam incoerentes e inseguros. tão frágeis que passam a duvidar de tudo e abanam com as suas próprias mãos os alicerces de tudo em que acreditam.    

 

escrito por divergência instintiva às 02:31

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1 comentário:
De V.A.D. a 26 de Fevereiro de 2007 às 01:49
É cómoda, a previsibilidade. É cómodo acreditar nela. Depois vem o inesperado, filho bastardo do acaso, e o mundo fica virado do avesso... Pai e filho são vastidões onde é fácil um homem perder-se e desesperar.
E não há felicidade absoluta, mesmo sem estes dois. Mas há a procura.
E não há um fado. Há muitas melodias e algumas cacofonias. Há serenidade e inquietude.
Há aquilo a que se chama vida. A vida é mãe de muitos filhos.

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